Fisioterapia após o cancro da mama: linfedema, exercício e recuperação.

O mês de outubro constitui uma oportunidade para sensibilizar a população para o cancro da mama, reforçar a importância do diagnóstico precoce e destacar os cuidados necessários ao longo de todo o percurso da doença. Para além do diagnóstico e do tratamento, é fundamental reconhecer a importância da reabilitação na recuperação funcional e na qualidade de vida das pessoas que vivem com esta doença.

A Fisioterapia assume um papel essencial, contribuindo para minimizar as consequências físicas dos tratamentos, promover a autonomia e facilitar o regresso às atividades quotidianas.

Fisioterapeuta da Physiohub com laço rosa na farda, símbolo do Outubro Rosa e da sensibilização para o cancro da mama
Outubro Rosa na Physiohub: cuidar também é reabilitar.

Onde a Fisioterapia pode intervir ao longo do percurso oncológico:

  • Antes do tratamento

    Avaliação funcional e preparação para as intervenções previstas.

  • Durante os tratamentos

    Gestão das limitações e manutenção da capacidade física.

  • Após os tratamentos

    Recuperação da funcionalidade e regresso às atividades habituais.

O impacto do cancro da mama na funcionalidade

Os tratamentos podem deixar alterações que afetam o dia a dia.

A reabilitação deve fazer parte dos cuidados oncológicos desde o início, e não ser apenas uma intervenção posterior ao tratamento.

Que alterações podem surgir

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e outras terapêuticas podem provocar alterações persistentes, tais como:

  • Dor
  • Limitação da mobilidade do ombro
  • Diminuição da força muscular
  • Alterações posturais
  • Fadiga
  • Dificuldades nas atividades da vida diária

Porque é que isto importa

Estas alterações podem comprometer a capacidade funcional e interferir com a participação na vida familiar, profissional e social.

Organização Mundial da Saúde, 2023

A Organização Mundial da Saúde reconhece a importância de integrar intervenções de reabilitação nos cuidados prestados às pessoas com doença oncológica, de acordo com as suas necessidades e capacidades individuais [1].

Recuperar o movimento, a força e a autonomia

Avaliação individual e intervenção ajustada a cada fase.

Tudo começa numa avaliação individual: só depois se definem objetivos e exercícios ajustados à fase de recuperação.

Fisioterapeuta a mobilizar o ombro de uma paciente sorridente durante uma sessão de reabilitação
A avaliação é o primeiro passo da reabilitação.

Avaliar primeiro

A Fisioterapia tem como um dos seus principais objetivos recuperar a funcionalidade e prevenir ou minimizar as limitações associadas ao tratamento do cancro da mama.

A avaliação realizada pelo Fisioterapeuta permite identificar alterações da mobilidade, da força, da sensibilidade, da postura e da capacidade funcional, estabelecendo objetivos terapêuticos individualizados.

O que a intervenção pode incluir

Respeitando sempre a fase de recuperação e as indicações da equipa clínica:

  • Exercícios de mobilidade articular
  • Alongamentos
  • Fortalecimento muscular progressivo
  • Treino funcional
  • Estratégias de controlo da dor
  • Intervenção precoce

    Quando clinicamente indicada, permite identificar dificuldades e implementar estratégias adequadas antes que estas comprometam significativamente a funcionalidade.

  • Progressão segura

    A progressão dos exercícios deve respeitar a cicatrização dos tecidos, o tipo de cirurgia e os tratamentos em curso.

Deste modo, a Fisioterapia contribui para recuperar a confiança no movimento, facilitar a realização das tarefas diárias e promover uma maior independência.

Está em tratamento ou em recuperação e sente limitações no dia a dia? Fale com a equipa Physiohub.

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Linfedema: a importância da prevenção e do acompanhamento

Vigilância, deteção precoce e tratamento.

O linfedema pode ser vigiado, detetado cedo e tratado. E o exercício, bem orientado, não é um inimigo.

O que é

O linfedema é uma das possíveis complicações associadas ao tratamento do cancro da mama, sobretudo em doentes submetidos a esvaziamento axilar pelo envolvimento dos gânglios linfáticos. Caracteriza-se pela acumulação de líquido nos tecidos, podendo manifestar-se através de aumento do volume do braço, sensação de peso, desconforto e limitação funcional.

Como a Fisioterapia atua

A Fisioterapia desempenha um papel importante na vigilância, deteção precoce e no tratamento desta condição. A intervenção pode integrar:

  • Educação para a autogestão
  • Exercício terapêutico
  • Cuidados com a pele
  • Utilização de compressão
  • Drenagem linfática, quando indicada
Academy of Oncologic Physical Therapy, APTA, 2020

As recomendações clínicas salientam a importância de uma abordagem individualizada, ao encontro dos fatores de risco e das necessidades de cada pessoa [2].

Exercício e linfedema: um mito a desfazer

O exercício progressivo, incluindo o treino de força devidamente adaptado, é geralmente seguro e pode integrar os programas de reabilitação.

Importa também desmistificar a relação entre exercício físico e linfedema. A sua prescrição deve ser ajustada à condição clínica, com acompanhamento adequado.

Exercício físico: um aliado na recuperação oncológica

Adaptado à condição clínica e ao ritmo de cada pessoa.

Mover-se durante e depois dos tratamentos traz benefícios comprovados, desde que o programa seja feito à medida.

O que diz a evidência

A evidência científica demonstra que o exercício físico pode trazer benefícios a doentes oncológicos, nomeadamente [3]:

  • Menos fadiga

    Redução da fadiga relacionada com alguns tipos de terapêutica.

  • Melhor função física

    Melhoria da função física e da qualidade de vida.

  • Menos ansiedade e depressão

    Diminuição de sintomas de ansiedade e depressão.

Paciente a fazer exercício com banda elástica para os braços, com apoio de um Fisioterapeuta
Força progressiva com acompanhamento: um dos exemplos de estratégias de um programa de reabilitação.

Como se adapta a cada pessoa

A prática de atividade física deve ser adaptada à condição clínica, à capacidade funcional, aos efeitos secundários dos tratamentos e às preferências individuais. Exemplos de estratégias que podem integrar um programa de reabilitação:

  • Caminhar
  • Exercícios de mobilidade
  • Desenvolver progressivamente a força muscular
  • Desenvolver a resistência cardiorrespiratória

O objetivo não é estabelecer metas iguais para todas as pessoas, mas promover uma recuperação segura e sustentável, respeitando o ritmo individual e evitando a inatividade prolongada.

O Fisioterapeuta, em articulação com a equipa de saúde, pode ajudar a definir objetivos realistas, acompanhar a evolução e adaptar o programa às diferentes fases do percurso oncológico.

Uma abordagem multidisciplinar ao longo de todo o percurso

Médicos, enfermeiros, Fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais.

Ninguém recupera sozinho: a Fisioterapia trabalha em equipa e em todas as fases do percurso.

Quem faz parte da equipa

A reabilitação do cancro da mama beneficia de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, Fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Em que fases a Fisioterapia intervém

  • Antes do tratamento

    Avaliação funcional e preparação para as intervenções previstas.

  • Durante os tratamentos

    Gestão das limitações e manutenção da capacidade física.

  • Após os tratamentos

    Recuperação da funcionalidade e regresso às atividades habituais.

Organização Mundial da Saúde, 2023

A Organização Mundial da Saúde destaca a necessidade de organizar serviços de reabilitação baseados na evidência científica e integrados nos sistemas de saúde, de forma a melhorar o acesso aos cuidados de que as pessoas necessitam [1].

Garantir o acesso atempado à Fisioterapia é, por isso, um passo importante para promover uma recuperação mais completa e uma melhor qualidade de vida.

Neste Outubro Rosa, importa reforçar que os cuidados oncológicos devem incluir uma visão integral da pessoa, reconhecendo a reabilitação como uma componente essencial do processo de recuperação.

Perguntas frequentes

Respostas curtas às dúvidas mais comuns sobre Fisioterapia e cancro da mama.

A Fisioterapia faz parte do tratamento do cancro da mama?

Sim. A reabilitação deve ser considerada parte integrante dos cuidados oncológicos, e não apenas uma intervenção posterior ao tratamento. A Organização Mundial da Saúde reconhece a importância de integrar intervenções de reabilitação nos cuidados prestados às pessoas com doença oncológica, de acordo com as suas necessidades e capacidades individuais.

Que alterações físicas podem surgir com os tratamentos do cancro da mama?

A cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e outras terapêuticas podem provocar alterações persistentes, como dor, limitação da mobilidade do ombro, diminuição da força muscular, alterações posturais, fadiga e dificuldades nas atividades da vida diária.

O que é o linfedema e como pode a Fisioterapia ajudar?

O linfedema é uma possível complicação do tratamento do cancro da mama, sobretudo após esvaziamento axilar. Caracteriza-se pela acumulação de líquido nos tecidos, com aumento do volume do braço, sensação de peso, desconforto e limitação funcional. A Fisioterapia intervém na vigilância, na deteção precoce e no tratamento, com educação para a autogestão, exercício terapêutico, cuidados com a pele, compressão e, quando indicado, drenagem linfática.

Quem tem linfedema pode fazer exercício físico?

Em geral, sim. O exercício progressivo, incluindo o treino de força devidamente adaptado, é geralmente seguro e pode integrar os programas de reabilitação. A prescrição deve ser ajustada à condição clínica e feita com acompanhamento adequado.

Em que fase do percurso oncológico se deve começar a Fisioterapia?

A Fisioterapia pode ter um papel em todas as fases: antes do tratamento, com a avaliação funcional e a preparação para as intervenções previstas; durante os tratamentos, na gestão das limitações e na manutenção da capacidade física; e após a conclusão dos tratamentos, na recuperação da funcionalidade e no regresso às atividades habituais.

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Referências bibliográficas

  1. World Health Organization. Package of interventions for rehabilitation. Module 7: Malignant neoplasm. Geneva: World Health Organization; 2023. Disponível em: who.int
  2. Davies C, Levenhagen K, Ryans K, Perdomo M, Gilchrist L. Interventions for Breast Cancer-Related Lymphedema: Clinical Practice Guideline From the Academy of Oncologic Physical Therapy of APTA. Physical Therapy. 2020;100(7):1163-1179. doi:10.1093/ptj/pzaa087. Disponível em: PMC7412854
  3. Campbell KL, Winters-Stone KM, Wiskemann J, et al. Exercise Guidelines for Cancer Survivors: Consensus Statement from International Multidisciplinary Roundtable. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2019;51(11):2375-2390. doi:10.1249/MSS.0000000000002116. Disponível em: PMC8576825
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