Fisioterapia após o cancro da mama: linfedema, exercício e recuperação.
O mês de outubro constitui uma oportunidade para sensibilizar a população para o cancro da mama, reforçar a importância do diagnóstico precoce e destacar os cuidados necessários ao longo de todo o percurso da doença. Para além do diagnóstico e do tratamento, é fundamental reconhecer a importância da reabilitação na recuperação funcional e na qualidade de vida das pessoas que vivem com esta doença.
A Fisioterapia assume um papel essencial, contribuindo para minimizar as consequências físicas dos tratamentos, promover a autonomia e facilitar o regresso às atividades quotidianas.
Onde a Fisioterapia pode intervir ao longo do percurso oncológico:
Antes do tratamento
Avaliação funcional e preparação para as intervenções previstas.
Durante os tratamentos
Gestão das limitações e manutenção da capacidade física.
Após os tratamentos
Recuperação da funcionalidade e regresso às atividades habituais.
O impacto do cancro da mama na funcionalidade
Os tratamentos podem deixar alterações que afetam o dia a dia.
A reabilitação deve fazer parte dos cuidados oncológicos desde o início, e não ser apenas uma intervenção posterior ao tratamento.
Que alterações podem surgir
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e outras terapêuticas podem provocar alterações persistentes, tais como:
- Dor
- Limitação da mobilidade do ombro
- Diminuição da força muscular
- Alterações posturais
- Fadiga
- Dificuldades nas atividades da vida diária
Porque é que isto importa
Estas alterações podem comprometer a capacidade funcional e interferir com a participação na vida familiar, profissional e social.
A Organização Mundial da Saúde reconhece a importância de integrar intervenções de reabilitação nos cuidados prestados às pessoas com doença oncológica, de acordo com as suas necessidades e capacidades individuais [1].
Recuperar o movimento, a força e a autonomia
Avaliação individual e intervenção ajustada a cada fase.
Tudo começa numa avaliação individual: só depois se definem objetivos e exercícios ajustados à fase de recuperação.
Avaliar primeiro
A Fisioterapia tem como um dos seus principais objetivos recuperar a funcionalidade e prevenir ou minimizar as limitações associadas ao tratamento do cancro da mama.
A avaliação realizada pelo Fisioterapeuta permite identificar alterações da mobilidade, da força, da sensibilidade, da postura e da capacidade funcional, estabelecendo objetivos terapêuticos individualizados.
O que a intervenção pode incluir
Respeitando sempre a fase de recuperação e as indicações da equipa clínica:
- Exercícios de mobilidade articular
- Alongamentos
- Fortalecimento muscular progressivo
- Treino funcional
- Estratégias de controlo da dor
Intervenção precoce
Quando clinicamente indicada, permite identificar dificuldades e implementar estratégias adequadas antes que estas comprometam significativamente a funcionalidade.
Progressão segura
A progressão dos exercícios deve respeitar a cicatrização dos tecidos, o tipo de cirurgia e os tratamentos em curso.
Deste modo, a Fisioterapia contribui para recuperar a confiança no movimento, facilitar a realização das tarefas diárias e promover uma maior independência.
Está em tratamento ou em recuperação e sente limitações no dia a dia? Fale com a equipa Physiohub.
Marcar consultaLinfedema: a importância da prevenção e do acompanhamento
Vigilância, deteção precoce e tratamento.
O linfedema pode ser vigiado, detetado cedo e tratado. E o exercício, bem orientado, não é um inimigo.
O que é
O linfedema é uma das possíveis complicações associadas ao tratamento do cancro da mama, sobretudo em doentes submetidos a esvaziamento axilar pelo envolvimento dos gânglios linfáticos. Caracteriza-se pela acumulação de líquido nos tecidos, podendo manifestar-se através de aumento do volume do braço, sensação de peso, desconforto e limitação funcional.
Como a Fisioterapia atua
A Fisioterapia desempenha um papel importante na vigilância, deteção precoce e no tratamento desta condição. A intervenção pode integrar:
- Educação para a autogestão
- Exercício terapêutico
- Cuidados com a pele
- Utilização de compressão
- Drenagem linfática, quando indicada
As recomendações clínicas salientam a importância de uma abordagem individualizada, ao encontro dos fatores de risco e das necessidades de cada pessoa [2].
Exercício e linfedema: um mito a desfazer
O exercício progressivo, incluindo o treino de força devidamente adaptado, é geralmente seguro e pode integrar os programas de reabilitação.
Importa também desmistificar a relação entre exercício físico e linfedema. A sua prescrição deve ser ajustada à condição clínica, com acompanhamento adequado.
Exercício físico: um aliado na recuperação oncológica
Adaptado à condição clínica e ao ritmo de cada pessoa.
Mover-se durante e depois dos tratamentos traz benefícios comprovados, desde que o programa seja feito à medida.
O que diz a evidência
A evidência científica demonstra que o exercício físico pode trazer benefícios a doentes oncológicos, nomeadamente [3]:
Menos fadiga
Redução da fadiga relacionada com alguns tipos de terapêutica.
Melhor função física
Melhoria da função física e da qualidade de vida.
Menos ansiedade e depressão
Diminuição de sintomas de ansiedade e depressão.
Como se adapta a cada pessoa
A prática de atividade física deve ser adaptada à condição clínica, à capacidade funcional, aos efeitos secundários dos tratamentos e às preferências individuais. Exemplos de estratégias que podem integrar um programa de reabilitação:
- Caminhar
- Exercícios de mobilidade
- Desenvolver progressivamente a força muscular
- Desenvolver a resistência cardiorrespiratória
O objetivo não é estabelecer metas iguais para todas as pessoas, mas promover uma recuperação segura e sustentável, respeitando o ritmo individual e evitando a inatividade prolongada.
O Fisioterapeuta, em articulação com a equipa de saúde, pode ajudar a definir objetivos realistas, acompanhar a evolução e adaptar o programa às diferentes fases do percurso oncológico.
Uma abordagem multidisciplinar ao longo de todo o percurso
Médicos, enfermeiros, Fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais.
Ninguém recupera sozinho: a Fisioterapia trabalha em equipa e em todas as fases do percurso.
Quem faz parte da equipa
A reabilitação do cancro da mama beneficia de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, Fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Em que fases a Fisioterapia intervém
Antes do tratamento
Avaliação funcional e preparação para as intervenções previstas.
Durante os tratamentos
Gestão das limitações e manutenção da capacidade física.
Após os tratamentos
Recuperação da funcionalidade e regresso às atividades habituais.
A Organização Mundial da Saúde destaca a necessidade de organizar serviços de reabilitação baseados na evidência científica e integrados nos sistemas de saúde, de forma a melhorar o acesso aos cuidados de que as pessoas necessitam [1].
Garantir o acesso atempado à Fisioterapia é, por isso, um passo importante para promover uma recuperação mais completa e uma melhor qualidade de vida.
Neste Outubro Rosa, importa reforçar que os cuidados oncológicos devem incluir uma visão integral da pessoa, reconhecendo a reabilitação como uma componente essencial do processo de recuperação.
Perguntas frequentes
Respostas curtas às dúvidas mais comuns sobre Fisioterapia e cancro da mama.
A Fisioterapia faz parte do tratamento do cancro da mama?
Sim. A reabilitação deve ser considerada parte integrante dos cuidados oncológicos, e não apenas uma intervenção posterior ao tratamento. A Organização Mundial da Saúde reconhece a importância de integrar intervenções de reabilitação nos cuidados prestados às pessoas com doença oncológica, de acordo com as suas necessidades e capacidades individuais.
Que alterações físicas podem surgir com os tratamentos do cancro da mama?
A cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e outras terapêuticas podem provocar alterações persistentes, como dor, limitação da mobilidade do ombro, diminuição da força muscular, alterações posturais, fadiga e dificuldades nas atividades da vida diária.
O que é o linfedema e como pode a Fisioterapia ajudar?
O linfedema é uma possível complicação do tratamento do cancro da mama, sobretudo após esvaziamento axilar. Caracteriza-se pela acumulação de líquido nos tecidos, com aumento do volume do braço, sensação de peso, desconforto e limitação funcional. A Fisioterapia intervém na vigilância, na deteção precoce e no tratamento, com educação para a autogestão, exercício terapêutico, cuidados com a pele, compressão e, quando indicado, drenagem linfática.
Quem tem linfedema pode fazer exercício físico?
Em geral, sim. O exercício progressivo, incluindo o treino de força devidamente adaptado, é geralmente seguro e pode integrar os programas de reabilitação. A prescrição deve ser ajustada à condição clínica e feita com acompanhamento adequado.
Em que fase do percurso oncológico se deve começar a Fisioterapia?
A Fisioterapia pode ter um papel em todas as fases: antes do tratamento, com a avaliação funcional e a preparação para as intervenções previstas; durante os tratamentos, na gestão das limitações e na manutenção da capacidade física; e após a conclusão dos tratamentos, na recuperação da funcionalidade e no regresso às atividades habituais.
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Marcar consultaReferências bibliográficas
- World Health Organization. Package of interventions for rehabilitation. Module 7: Malignant neoplasm. Geneva: World Health Organization; 2023. Disponível em: who.int
- Davies C, Levenhagen K, Ryans K, Perdomo M, Gilchrist L. Interventions for Breast Cancer-Related Lymphedema: Clinical Practice Guideline From the Academy of Oncologic Physical Therapy of APTA. Physical Therapy. 2020;100(7):1163-1179. doi:10.1093/ptj/pzaa087. Disponível em: PMC7412854
- Campbell KL, Winters-Stone KM, Wiskemann J, et al. Exercise Guidelines for Cancer Survivors: Consensus Statement from International Multidisciplinary Roundtable. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2019;51(11):2375-2390. doi:10.1249/MSS.0000000000002116. Disponível em: PMC8576825

